Artigo de opinião: “Educação para a cidadania”, por Luís Caçador


luísHá já uns meses que dedico alguma reflexão aos fenómenos da cidadania. Cidadania participativa, activada, consequente, interventiva, negligente, tenho ouvido os mais diversos palavrões acerca deste substantivo que queremos que seja predicado plural, pois raramente anda sozinha; faz-se acompanhar de um sem número de adjectivos.

Neste ensaio sobre cidadania, começei por analisar as orientações do Ministério da Educação para a disciplina: http://www.dgidc.min-edu.pt/educacaocidadania. E não é que fiquei surpreendido com os conteúdos propostos para essa dita Educação para a Cidadania? Nas linhas orientadoras reza:

“A prática da cidadania constitui um processo participado, individual e coletivo, que apela à reflexão e à ação sobre os problemas sentidos por cada um e pela sociedade. O exercício da cidadania implica, por parte de cada indivíduo e daqueles com quem interage, uma tomada de consciência, cuja evolução acompanha as dinâmicas de intervenção e transformação social. A cidadania traduz-se numa atitude e num comportamento, num modo de estar em sociedade que tem como referência os direitos humanos, nomeadamente os valores da igualdade, da democracia e da justiça social.

Enquanto processo educativo, a educação para a cidadania visa contribuir para a formação de pessoas responsáveis, autónomas, solidárias,
que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo. (…)”

e reconhece, continua:

“A escola constitui um importante contexto para a aprendizagem e o exercício da cidadania e nela se refletem preocupações transversais à sociedade, que envolvem diferentes dimensões da educação para a cidadania, tais como: educação para os direitos humanos; educação ambiental / desenvolvimento sustentável; educação rodoviária; educação financeira; educação do consumidor; educação para o empreendedorismo; educação para a igualdade de género; educação intercultural; educação para o desenvolvimento; educação para a defesa e a segurança/educação para a paz; voluntariado; educação para os media; dimensão europeia da educação; educação para a saúde e a sexualidade. (…)”

Agradavelmente surpreendido, resolvi auscultar alunos e começei pela minha sobrinhagem. Foi peremptória a resposta de que nas aulas de EC (Ética e cidadania) não se aprendia nada. Discutem-se as notas e o comportamento, tiram-se dúvidas sobre rotinas e depois vão para o recreio mais cedo. Fiquei indignado.

Sei que há professores conscientes da importância da educação, lato sensu, que ministram com dedicação e competência. Mas a percepção da amostra leva-me a crer que quem não foi educado para a cidadania não pode ser professor dessa disciplina. E são muitos os professores que a (não) ministram com seriedade. E por causa de uns, a classe dos professores sofre e, muito pior, sofrem as classes dos alunos que não rentabilizam o tempo com a cerimónia que merece.

Fica aqui o meu apelo a todos os professores dedicados e competentes para que, nas vossas escolas, esta disciplina seja dada de forma séria e produtiva.

Por uma questão de cidadania!

cidadania valores

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